A Euribor é, para milhões de portugueses com crédito habitação a taxa variável, o número mais importante do mês. Sobe um décimo de ponto e a prestação aumenta. Desce e há um pequeno alívio no orçamento familiar. Mas o que é exactamente a Euribor, como chegámos até aqui, e o que pode fazer para se proteger?

O que é a Euribor e como funciona

A Euribor — Euro Interbank Offered Rate — é a taxa de juro à qual os bancos europeus se emprestam dinheiro entre si. É calculada diariamente e publicada em vários prazos: 1 mês, 3 meses, 6 meses e 12 meses. Em Portugal, a esmagadora maioria dos contratos de crédito habitação a taxa variável está indexada à Euribor a 6 ou 12 meses.

A taxa que paga no seu crédito habitação é, na prática, a soma da Euribor com o spread contratado com o banco. Se a Euribor a 12 meses estiver em 2,5% e o seu spread for 1%, paga 3,5% ao ano.

O que aconteceu nos últimos anos

Depois de um período histórico de taxas negativas — onde a Euribor chegou a estar abaixo de zero — o Banco Central Europeu iniciou em 2022 um ciclo de subidas agressivas para combater a inflação. As taxas subiram de forma rápida e pronunciada, atingindo máximos históricos e causando um aumento significativo nas prestações de crédito habitação em toda a zona euro.

A partir de 2024 o BCE começou a inverter a tendência, com descidas graduais das taxas de referência. Em 2026, o mercado encontra-se num patamar de maior estabilidade — mas ainda com taxas substancialmente acima do que os mutuários conheceram na última década.

O que esperar para o resto de 2026

A trajectória da Euribor depende essencialmente de dois factores: a evolução da inflação na zona euro e as decisões do Banco Central Europeu. O consenso entre analistas aponta para uma estabilização das taxas no nível actual, com possibilidade de descidas moderadas caso a inflação continue a desacelerar de forma sustentada.

O que isto significa na prática: se tem crédito a taxa variável, as suas prestações deverão manter-se estáveis ou diminuir ligeiramente nos próximos meses — mas sem retornar aos mínimos históricos que muitos mutuários conheceram antes de 2022.

Como proteger o seu crédito habitação

Independentemente da trajectória das taxas, há decisões que pode tomar agora para melhorar a sua posição:

Renegociar o spread. Se o seu contrato tem mais de 5 anos, é provável que o spread que lhe foi cobrado seja mais alto do que o mercado actual oferece. Muitos bancos estão dispostos a renegociar para reter clientes. Um advisor pode fazer este processo por si, comparando propostas de várias instituições.

Ponderar a taxa fixa. A taxa fixa oferece previsibilidade total — sabe exactamente quanto vai pagar até ao fim do contrato, independentemente do que aconteça à Euribor. Pode fazer sentido numa fase de taxas mais baixas, para fixar um valor razoável. A decisão depende da sua tolerância ao risco e do horizonte temporal do crédito.

Fazer uma simulação de stress. O Banco de Portugal recomenda que avalie sempre o impacto de uma subida de 2 pontos percentuais na taxa. Use o nosso simulador de prestação para perceber o impacto concreto no seu caso.

Avaliar a reestruturação. Se a sua taxa de esforço actual está elevada, pode fazer sentido reestruturar o crédito — aumentar o prazo, consolidar dívidas, ou negociar um período de carência de capital.

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